Resenha : A Culpa é das Estrelas de John Green

11 março 2013

Olá!

Confesso que não tinha a menor idéia de quem era John Green, não conhecia seus livros, mas passei a ver corriqueiramente o livro "A Culpa é das Estrelas" nos sites de vendas, nas estantes das livrarias, em diversas resenhas nos blogs que sigo, e aos poucos, mas bem aos poucos minha curiosidade sobre o livro foi aumentando. O ponto que me fez prestar atenção nele e no livro, eu acho, foi quando vi o vídeo da Tatiana Feltrin no seu canal do youtube

Bom, logo depois fui procurar o canal do John Green no youtube (o qual ele faz com o irmão Hank Green) e comecei a ver seus vídeos, que são bem interessantes e gostei muito da forma como ele se expressa, enfim me diverti com alguns de seus vídeos. Aí sim, minha curiosidade pelo livro culminou no ponto mais alto, corri peguei meu exemplar e comecei a ler...... qual não foi a minha surpresa ? Não conseguia parar de ler. 

Se você me perguntar é o melhor livro do autor, não sei te dizer, porque até um mês atrás eu nem sabia quem era John Green direito. Por isso, não tenho muitos parâmetros para comparar os livros dele, e também para comparar com outros livros YA, a verdade é que não é realmente um gênero que leio muito. Acho que o máximo que li foi Harry Potter (que adoro, por sinal!).

“Seria uma honra ter o coração partido por você.”

A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars)
John Green
Editora Intrínseca 
(2012)
288 páginas

Sinopse
A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar. (Fonte: Skoob)

“Parecia que tinha sido, tipo, há uma eternidade, como se tivéssemos vivido uma breve, mas infinita, eternidade. Alguns infinitos são maiores que outros.”

"Mas todo mundo deveria ter um amor verdadeiro, que deveria durar pelo menos até o fim da vida da pessoa."
 
Hazel Grace Lancaster é uma adolescente de 16 anos que descobriu muito cedo um câncer na glândula tireóide, que se espalhou até seus pulmões, por isso ela tem de andar 24 horas por dia com seu aparelho de oxigênio para cima e para baixo, porque seus pulmões não conseguem funcionar o suficiente para oxigenar seu corpo. O câncer consegue ser impedido de evoluir graças a uma droga experimental que ela começa a tomar, mas a questão é que inevitavelmente ela vai morrer, não há cura para a doença, somente paliativos que impedem provisoriamente seu câncer de crescer e se espalhar. mas a questão não é se ela vai morrer mas quando ela vai morrer. 

Enfim, Hazel e sua família tem de conviver com essa situação, mesmo não sendo escolha de nenhum deles ter de lidar com isso. 

E é em um grupo de apoio que ela conhece Augustus Waters, que também tinha tido um câncer, um osteossarcoma, o qual foi responsável por ele ter de ficar sem uma de suas pernas. Augustus foi acompanhar seu amigo Isaac, que tinha retirado um de seus olhos por causa de ..... claro, um câncer no olho. Enfim, parece trágico e claro que é. 

“Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você, e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.”

Hazel é uma adolescente inteligente, irônica que detesta ser tratada como uma vítima de sua doença, ao mesmo tempo que luta com seus próprios sentimentos que afloram de sua situação terminal (que ninguém sabe ao certo quando terminará). 

“ – Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa : existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1.Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente , existe um conjunto ainda maior entre 0 e 2, ou entre 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor de quem costumávamos gostar nos ensinou isso. Há dias, muito deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Queria mais números do que provavelmente vou ter.”
Eu adorei a Hazel, porque ela tenta ao máximo não se vitimizar devido a sua situação e também tenta fazer com que sua família, seus pais não se destruam por causa de sua doença. Sabemos que lidar com uma situação como essa não deve ser fácil, quanto mais ser pais de uma menina que esteja nessa situação, o sofrimento é inevitável.

Adorei esses adolescentes são todos espirituosos, inteligentes, um tanto quanto nerds, soltando suas frases de efeito, são personagens bem construídos, aqueles que tem o que dizer. 

“Às vezes parece que o universo quer ser notado.” ‘É nisso que eu acredito. Acredito que o universo quer ser notado. Acho que o universo é, questionavelmente, tendencioso para a consciência, que premia a inteligência em parte porque gosta que sua elegância seja observada. E quem sou eu, vivendo no meio da história, para dizer ao universo que ele, ou a minha observação dele, é temporária? "

O que eu gostei do livro, é que a situação é tratada de uma forma digna, sem heroísmo falsos e lágrimas e dramalhões em excesso. 

Enfim é uma delícia de ser lido, e obviamente se você não tiver um coração de pedra, com certeza lagriminhas escorrerão pelos seus olhos em diversas partes do livro. E lembre-e é uma história de adolescentes para adolescentes, não compare com a sua leitura de livros adultos. 

O livro tem sua dose de previsibilidade, se bem que até certo ponto, porque em dado momento da história, em um fato específico, o autor me surpreendeu sim, mas não posso falar exatamente no que, porque senão soltaria um mega spoiler, mas tem a ver com Augustus (quem ler entenderá).

Podemos notar que certas palavras as vezes carregam mais peso do que outras, palavras como morte e câncer são carregadas de uma aura pesada, muitas pessoas que eu conheço nem pronunciam a palavra câncer, como se ela fosse um tipo de palavra que tivesse algum poder de acionar uma cadeia de acontecimentos no universo e que você seria atingida por câncer voador a qualquer momento e ele grudaria em você e não sairia mais ('tá eu exagerei nas metáforas, mas vem cá, presta atenção o que você sente ao falar "câncer"?). Outra que parece acionar algo no universo, é a palavra morte. Quando alguém morre, falamos : "ela foi pro céu, ela foi pro purgatório, 'tá com papai do céu, está junto de Deus" .......... ihhh tantas coisas, tudo para fugir do simples fato da palavra morte, que significa no pano de fundo "fim" ...  e como não sabemos lidar com finais, muito menos o da vida, há esse desconforto inerente ao pronunciar tais palavras. 

O livro não me passou nenhum desses clichês, as personagens lidam com suas doenças com  o devido sofrimento inerente, seja pelo seu próprio sofrimento ou pelo que causa naqueles ao seu redor, mas você não vê na história, o consolo do "lugar melhor". Você percebe a busca do viver o "seu melhor hoje", porque afinal das contas o que realmente temos é o agora, o já .... o amanhã nem existe e não tem como sabermos como e se existirá. O mundo gira, o sol nasce com nós ou sem nós, a vida continua normal sem nós ou com nós aqui, por isso somos cada um de nós mais um, mas nós mesmos e ninguém mais tem o poder de criar nosso "infinito hoje" ... nosso momento hoje, o mundo é feito muito mais de momentos pessoais que ninguém nunca saberá, somente você ou o outro que o viveu, do que dos grandes acontecimentos. 'Tá eu sei, já filosofei demais, parei. 

Para finalizar, basta dizer que o livro é sensível, doce, sofrido, faz você rir, chorar, pensar .... eu adorei. 

Fico pensando quantas pessoas no mundo enfrentam situações tão mais difíceis que as minhas,  quantos sofrem mais, choram mais, e mesmo assim continuam em pé, Hazel sua fofa  eu adorei te conhecer , mesmo que literariamente. 

“Nós dois ficamos ali sentados por um bom tempo, numa boa, e eu fiquei pensando no início de tudo no Coração Literal de Jesus, quando o Gus nos disse que tinha medo do esquecimento e eu falei que ele estava com medo de algo universal e inevitável, e que, na verdade, o problema não é o sofrimento nem o esquecimento em si, mas a ausência imoral de sentindo nisso tudo, o niilismo absolutamente inumano do sofrimento. Pensei no meu pai me dizendo que o universo quer ser notado. Mas o que nós queremos é ser notados pelo universo, fazer com que o universo dê alguma bola para o que acontece com a gente – não a ideia coletiva de vida senciente, mas cada um de nós, como indivíduos.”

Eu achei uma história fofa e sensível e ponto final. :)


Até mais !


PS: esse livro cumpre meu Desafio Literário pessoal de ler um livro na lista dos mais vendidos ! Ehh mais item um cumprido!

11 comentários:

  1. Louquinha pra ler!!!
    http://fabipimentarosa.blogspot.com.br

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  2. MEDO desse livro. Troquei ele ano passado e ta encostado na estante porque estou esperando o momento certo para lê-lo. Sou fraca pra esse tipo de livro, confesso, mas lerei agora que vai virar filme. Por ter sido uma sensação tão grande, tenho muitas expectativas para ele. Ótima resenha!!! *-*

    Bjs, @dnisin
    www.seja-cult.com

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    1. Oi Denise, então o livro tem uma temática que parece pesada mas a leitura não demonstra isso, o autor consegui levar o assunto de uma forma suave, vale a pena ler !
      abraços

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  3. Amoooo esse livro, tipo muito amor, realmente !!
    Adorei sua resenha :)

    Beijos,
    http://www.segredosentreamigas.com

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  4. Amei esse livro e quero reler, com certeza. É minha primeira vez em seu blog, Melissa, e gostei demais. Tudo por aqui é muito espontâneo e caloroso. Voltarei :)

    Abraço!

    http://rosangelaneres.com/

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    1. Ahhh obrigada pelo carinho nas palavras Rosangela ! Volte sim!
      e obrigada pela visita!
      abraços

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  5. Eu não conhecia John Green, antes de lançarem esse livro, ainda não li mais tenho vontade, mas sei que vou chorar e realmente não to bem para chorar =/
    Amei essas imagens, são realmente muito lindas, dá um toque magico a resenha.

    Bianca
    http://umuniversofantastico.blogspot.com.br/

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    1. Oi Bianca eu tb não fazia idéia de quem era John Green antes do lançamento e da popularização desse livro ! Acho que um livro tem que ser lido quando estamos com o espírito preparado para ele, leia quando sentir que deve ler ! Obrigada pela visita. abraços

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