Vidas Secas de Graciliano Ramos [Fórum Entre Pontos e Vírgulas]

23 outubro 2013

Graciliano Ramos é um dos mais importantes e significativos escritores brasileiros, além de ser um excelente escritor, destaca-se pela forma como retrata o sertão nordestino brasileiro na sua obra Vidas Secas.


Vidas Secas
Graciliano Ramos
Editora Record
178 págs


Graciliano nasceu em 1892, na cidade de Quebrangulo em Alagoas, porém passou parte de sua infância no sertão de Pernambuco, assim como outros lugares do nordeste brasileiro.

Mas, é em 1938 que é lançado o livro Vidas Secas, romance de Graciliano que retrata a vida do sertanejo nordestino. 

Vidas Secas retrata a vida da família de Fabiano e Sinha Vitória que migra pelo sertão nos períodos de seca. Na realidade o livro retrata um período inicial de seca, depois um período de chuva e novamente a tão temida seca novamente. Durante estes períodos, conta-nos desde a migração pelo sertão em busca de terra, água e alimento pela família de Fabiano, bem como sua estadia numa fazenda trabalhando. 

Porém, em nenhum momento a sombra da seca e o sofrimento que ele acarreta deixa a mente daqueles que passam sempre por toda a dificuldade deste período. Graciliano retrata lindamente os pensamentos, as dúvidas e os medos que vem junto com essa situação, vou sobreviver? porque não chove? 

Cada capítulo do livro conta um momento, que independe do outro, desde os pensamentos e as dúvidas de Fabiano, o pai da família, até a da cachorra Baleia, que na minha opinião é um dos capítulos mais tristes da literatura brasileira,  porém como não poderia deixar de ser, poético devido a brilhante escrita de Graciliano. 

Os pensamentos de Fabiano não só nos levam a dúvida quanto a sobrevivência, devido ao período de seca, mas também as dúvidas quanto a sua própria 'humanidade', nas suas palavras ele não é homem não, ele é um cabra, um cabra que tem que trabalhar duro, tem que ser duro para conseguir sobreviver e fazer os seus também sobreviverem. A falta de noção de humanidade e de reconhecimento de si como um homem, que merece respeito, assim como a autoridade, vista através do soldado amarelo, ou da admiração por parte de Fabiano da inteligência de Seu Tomás da Bolandeira. 




Essa humanidade também é vista nos olhos da cachorra Baleia, que se preocupa com sua família, caça preás e não parece se importar muito mesmo com os pontapés que toma, aquele é seu lugar, aquela é sua família e permanece pensando neles até o fim. 

É como se todos eles se vissem como seres fora do comum, fora dos homens letrados, que sabiam vestir um terno, uma botina ou um sapato com salto. É uma retratação muito humana e emotiva daquelas personagens. É uma história árida em um lugar árido, é uma história de uma família que apenas sobrevive, mantendo sonhos e desejos acesos dentro de si, é uma história dos seres injustiçados mas, que não se vêem como tal, que entendem que algo está errado, mas não sabem como corrigir. É uma história que todo aquele que se diz brasileiro deveria ler. 

Eu não nasci no nordeste, mas tenho bisavós que vieram do interior da Bahia para São Paulo, e sei bem que o que Graciliano narra, foi narrado pela minha bisavó, a seca, a fome, as dificuldades de viver num local como esse. Entretanto, mais do que isso a história de Graciliano (assim como de outros autores, que narraram a visão de brasileiros fora do eixo Rio-São Paulo) emociona qualquer um, mesmo aquele que como eu, não tem identificação direta com a história, emociona porque narra uma parcela renegada da sociedade brasileira, emociona porque narra uma relação humana dura, mas ao mesmo tempo mostrada de forma tão emotiva e poética. Não acredito que, alguém não consiga se emocionar com a história de Baleia, com os pensamentos de Fabiano, com os sonhos de Sinha Vitória mesmo em frente a tanta adversidade. 

Emocione-se como Graciliano, vale a pena. 

Até mais !

14 comentários:

  1. Que lindo Mel! Acho que essas raízes estão em boa parte do povo de SP, afinal foi o lugar que mais recebeu nordestinos fugindo da seca. É muito triste a imagem do chão árido, o cheiro dos animais morrendo, parece que dá pra sentirr a desgraça antes dela chegar, como é tão bem retratada pelo Fabiano no livro. E essa impotência né, uma das partes que mais me dói é quando ele mata o porco pra vender e querem cobrar imposto em cima... e ele não consegue se defender, quanta angústia em saber que está sendo enganado e não conseguir lutar... Estou adorando os posts sobre o livro e feliz com essa identificação que está acontecendo com Vidas Secas :) beijo!

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    1. Adorei ler Vidas Secas e seu vídeo também foi coisa mais linda ! bjoooo

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  2. Ai, meninas, amo tanto esse livro, identifico minhas raízes nordestinas (meu avô era paraibano) e esse jeito da falar e de não-falar do pai, nossa, muito emocionante!
    Acho que vou fazer um post lá no blog também!
    Adorei demais os textos das meninas!
    Beijos.

    Só Sobre Livros

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    1. Faça sim Renata! Esse livro é lindo demais! bjos

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  3. Oi, Mel!
    Eu li esse livro faz muito tempo e os detalhes se apagaram, mas do sentimento de tristeza e impotência ainda lembro bem. Não conheço ninguém que não tenha se emocionado com Baleia. Uma história incrível. Quero reler.

    Respondendo sua pergunta: sou vegetariana sim. Maurinha desenterrou aquele post e você também foi parar lá...rs

    Bjo!

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    1. Nossa eu chorei tanto no capítulo da Baleia, me acabei !!! É um livro lindo mesmo!
      bjos

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  4. Nossa, li na época do vestibular!
    Mas é um clássico mesmo, todos deveriam ler!
    Amei o post
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  5. Melissa, que texto lindo! *_* Estou adorando ler / assistir as impressões de cada um de vocês, pois sempre percebo algo novo ^_^ O capítulo da Baleia também foi um dos mais tristes que já li. Nossa, como chorei Ç_Ç e toda vez que relembro meus olhos suam, rs. A humanização do ser humano é muito marcante nesta obra. Graciliano Ramos tem uma sensibilidade incrível. Enfim, “Vidas Secas” é amor!
    Beijos!

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  6. Excelente post e resenha. Sou louca para ler esse livro....

    Bjs, Isabela.
    www.universodosleitores.com

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  7. Mel, Baleia é a veia poética do Graça... assim senti, toda a esperança e imaginação de uma família reunida num único humano...
    Foi um livro bastante tocante pra mim, pois meus pais são do Ceará e já ouvi muitas histórias e sempre vejo um pouco de tudo o que me falaram ainda acontecer...

    Xerinhos

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    1. Oi Paty, acho que não tem como se manter imune a essa história!
      Obrigada, bjos

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