As Cavernas de Aço de Isaac Asimov

11 agosto 2014

O meu pouco conhecimento de ficção cientifica não possibilita comparações amplas, porém eu acredito que não precisamos de muito para dizer efetivamente que um livro é bem escrito. É justamente essa a minha maior impressão com As Cavernas de Aço de Isaac Asimov, a de um livro muito bem construído, com um texto que prende o leitor do início ao fim. 

As Cavernas de Aço
Isaac Asimov
2013
300 pags
Editora Aleph
Este livro foi cedido como cortesia pela editora, por escolha pessoal, para resenha



O livro é um romance policial de ficção científica (definição estranha, mas é isso), conta a história da Terra em um tempo no futuro onde o mundo que conhecemos não existe mais. As pessoas não vivem mais sobre o solo, mas foram construídas cidades, que eles colocam em maiúsculo Cidades, que são as Cavernas de Aço, construções imensas onde as pessoas moram, trabalham, se locomovem, comem etc etc, quase ninguém mais vive “ao ar livre”, com exceção dos moradores da Vila Sideral, onde moram pessoas que vieram dos Mundos Siderais, planetas próximo a Terra que foram colonizados por terráqueos mas que desenvolveram, ao longo do tempo, formas de viver muito diferente dos que permaneceram na Terra. 

Além de uma estrutura física, esta Terra futurista, constituída das cavernas de aço, tem toda uma estrutura política e social completamente diferente da terra medievalista, a qual seria correspondente a nossa época atual. A vida é muito mais comunitária do que individual, uma estrutura basicamente meritocrática em relação a privilégios e “vantagens” perante outras pessoas. 

Aliado a toda essa mudança, acontece a introdução dos robôs na vida cotidiana, principalmente pela influência dos Siderais, esses servem como mão de obra e por isso sofrem grande rejeição pela população, pois os robôs são acusados de roubar os cargos e empregos dos humanos. 

É nesse sentimento que nosso personagem principal Elijah Bailey, um investigador da polícia, começa a trabalhar num caso, solicitado pelo seu chefe, o Comissário de Polícia, Julius Enderby. O caso se refere a um assassinato de um importante cientista da Vila Sideral, que imagina-se tenha sido morto por alguém da Terra. Os siderais mandam para trabalhar junto com Elijah, nada mais nada menos que um robô, porém muito mais avançado do que os que Elijah conhece na Terra, este parece-se com um humano. 

E é nessa conflituosa relação que Elijah tem de investigar um caso importantíssimo que pode abalar as relações entre os siderais e os humanos. É muito interessante ver a evolução do pensamento de Elijah, em relação a sua própria rejeição com robôs, por ser obrigado a trabalhar com um, muito parecido com um humano. 

Como já disse anteriormente, a construção do texto é dinâmica, onde vários acontecimentos dão novos rumos e não permite que o livro caia em monotonia. Apesar de ser no fundo um livro de ficção cientifica, a história é totalmente acessível, ainda que a intenção de Asimov de escrever seja também para divulgar a ciência, não há termos complexos ou uma história profundamente tecnológica, o importante são os personagens associado ao contexto futurista onde se encontram, por isso é uma história fluída e muito simples de ser lida, mas muito bem escrita e costurada. 

A edição lançada recentemente pela Editora Aleph possui uma introdução escrita pelo próprio Asimov, na qual o autor nos explica a sua trajetória com as histórias de robôs. Escreveu diversos contos anteriores ao livro As Cavernas de Aço, seu primeiro romance com essa temática, onde foram compilados posteriormente no livro intitulado Eu, Robô. 

Asimov foi um dos precursores das histórias envolvendo robôs, criando até o termo robótica e as 3 leis da robótica, que não só foi o pilar no qual criou a forma como os robôs lidam com os humanos em seus livros, como influenciou muitos outros escritos e filmes. Pensando em tudo isso, na qualidade, no ineditismo da sua obra, na importância que dava as descobertas cientificas e sua divulgação, não há como não ler ou não querer ler Isaac Asimov. 

Até mais!

2 comentários:

  1. Adorei a resenha Mel! Um livro de ficção científica e ainda por cima policial deve ser daqueles que a gente devora sem nem perceber! Quero conhecer mais coisas do Asimov, só li até agora a Fundação mas a obra dele é tão ampla, dá vontade de ler tudo!
    beijos

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  2. Não sou muito chegada à ficção científica, mas ultimamente ando bem tentada a conhecer melhor esse gênero. Do Asimov, li apenas 2 livros até agora: "O homem bicentenário" e "Fim da eternidade". Só o que posso dizer é que adorei ambos e que a capacidade do Asimov de criar mundos futuristas e robôs é assustadora e atemporal. Bom saber que "As cavernas de aço" não é cheia de termos tecnológicos. Me animei.
    bjo

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